Evangelho do dia · 11 de junho · São Barnabé, Apóstolo

Evangelho do Dia

«De graça recebestes, de graça deveis dar!» (Mt 10, 8)

Evangelho (Mt 10, 7-13)

«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Em vosso caminho, anunciai: 'O Reino dos Céus está próximo'. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!

Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento.

Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida.

Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz".» Mateus 10, 7-13
Comentário · ≈ 1 min

Comentário ao Evangelho

A liturgia traz o Evangelho do envio: Jesus manda os discípulos anunciarem que «o Reino dos Céus está próximo». E dá instruções bem práticas, né? Curai os doentes, purificai os leprosos... e não leveis ouro, nem prata, nem sacola, nem duas túnicas. Mas no meio dessas instruções tem uma frase que, sozinha, dá para rezar a semana inteira: «De graça recebestes, de graça deveis dar!» Porque tudo o que a gente tem de mais valioso — a fé, o Batismo, o fato de conhecer Cristo — foi presente, não foi conquista. E presente que se recebe de graça não é para guardar na gaveta: é para dar — começando por aquela pessoa concreta que Deus já colocou no nosso caminho.

Santa Maria, Esperança nossa, Sede da Sabedoria, rogai por nós.

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Círculo de Cooperadores · Opus Dei

A Virtude da Fé

«Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida» (Jo 8, 12)
Duração aproximada: 15 minutos · ~2.100 palavras · ritmo de conversa
Abertura · ≈ 0–2 min

Uma mulher que não sabia mentir

Antes de mais nada, queria começar a nossa conversa de hoje com uma história. Porque o tema é a fé, e a fé a gente entende melhor olhando para uma vida do que decorando uma definição.

Início do século passado, Alemanha. Uma moça judia, brilhante, doutora em filosofia — uma das primeiras mulheres a chegar lá. E ateia, viu? Ela mesma contava que tinha perdido a fé na adolescência, de propósito, por decisão. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial, ela se oferece como enfermeira voluntária num hospital de soldados. E os soldados, coitados, pediam para ela levar cartas para as famílias — porque pelo correio oficial demorava meses, tinha a censura de guerra. Era proibido. Ela pegou as cartas mesmo assim.

Na fronteira, o guarda pergunta: «A senhora está levando alguma coisa?» E ela, na lata: «Estou.» O homem ficou tão perplexo com aquela sinceridade que deixou a moça passar. Depois ela explicou aos amigos, com a maior naturalidade: «Prefiro ir para a prisão a mentir.»

Reparem: essa mulher não tinha fé nenhuma. Mas tinha uma paixão enorme pela verdade. E a verdade, quando a gente é honesto com ela, vai puxando, vai puxando... Anos depois, numa casa de campo de amigos, sem ter o que fazer numa noite, ela pega na estante, meio ao acaso, um livro: a autobiografia de Santa Teresa d'Ávila. Começa a ler. Não consegue parar. Lê a noite inteira. De manhã cedo, fecha o livro e diz uma frase só: «Isto é a verdade.»

Pediu o batismo. Tornou-se carmelita. Morreu num campo de concentração, em Auschwitz, pela sua origem judaica. Hoje é Santa Teresa Benedita da Cruz — Edith Stein — copadroeira da Europa.

Por que eu começo por aqui? Porque a fé é isso que aconteceu com ela naquela madrugada: um encontro com a Verdade. E a Verdade não é uma ideia, não é uma teoria — é uma Pessoa. É Cristo. Hoje eu queria pensar com vocês três coisas sobre essa virtude: a fé é a nossa luz, a fé se vive, e a fé é a nossa rocha. E no final, bem rapidinho, como é que a gente faz para ter mais fé — porque sair daqui só com teoria seria desperdício.

Primeira ideia · ≈ 2–6 min

1. A fé é a nossa luz

Não sei se vocês lembram daquele filme, o Gladiador. Tem uma cena em que o Próximo, aquele comerciante de gladiadores, fala para o Máximo uma frase que resume a vida sem fé: «Somos sombras e pó.» Sombras e pó. Ou seja: vive aí, luta aí, morre aí — e não pergunta muito o porquê, que não tem resposta. E olha, muita gente boa vive assim hoje, né? Trabalha, paga boleto, leva filho na escola, e lá no fundo carrega essa pergunta sem resposta: para que tudo isso?

Nosso Padre tem uma imagem que é o contrário exato disso. Ele diz:

«Alguns passam pela vida como por um túnel, e não compreendem o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé.» São Josemaria, Caminho, n. 575

O túnel e o sol. É a mesma estrada, é a mesma vida, o mesmo trabalho, a mesma família — mas um atravessa no escuro e o outro atravessa com luz. E o Senhor disse exatamente isso: «Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.»

Agora, atenção, porque aqui tem uma coisa importante. A fé é luz, mas não é holofote. Não é um estádio de futebol iluminado onde se enxerga tudo, todos os mistérios resolvidos, nenhuma dúvida. Tem uma encíclica sobre a fé com uma história curiosa: o Papa Bento XVI deixou-a quase pronta, renunciou, e o Papa Francisco assumiu o texto e publicou — a Lumen Fidei, escrita a quatro mãos. E lá tem uma imagem bonita: «A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho» (n. 57). Uma lâmpada. Ilumina o próximo passo.

E pensando bem, é até melhor assim, né? Imagina assistir um filme já sabendo o final, quem é o assassino, tudo. Perde a graça. Deus não nos dá o spoiler da vida inteira — nos dá a luz para o passo de hoje. É como o GPS no carro: o Waze não te mostra a cidade inteira de uma vez, ele fala «siga em frente duzentos metros, depois vire à direita». E você confia. Engraçado: a gente confia num aplicativo de celular para dirigir à noite num lugar desconhecido... e às vezes custa confiar em Deus para a vida.

É como uma criança jogando xadrez com o pai. Ela não domina o jogo, mas o pai vai dizendo: agora mexe esse peãozinho aqui, agora esse cavalo... e a criança vai, confiada, e a partida vai saindo. Ter fé é isso: deixar Deus conduzir a partida da nossa vida, lance a lance.

Segunda ideia · ≈ 6–9 min

2. A fé se vive — fé sem obras é morta

Segunda ideia. A fé não é só uma convicção que mora na cabeça. O apóstolo São Tiago é duríssimo nisso, quase dá um susto na gente:

«A fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês que há um só Deus? Fazes bem. Também os demônios creem — e tremem.» Tiago 2, 17-19

Até o demônio é «teólogo», né? Ele sabe direitinho que Deus existe, sabe quem é Cristo. O que ele não faz é amar e obedecer. Então recitar o Credo no domingo, sozinho, não basta — a fé pede vida, pede comportamento, pede coerência no dia a dia.

E aqui tem uma coisa que a experiência mostra e que vale a pena dizer entre amigos: muitas crises de fé, no fundo, não são crises de fé — são crises de vida. A pessoa começa a viver de um jeito que bate de frente com o Evangelho, e aquilo gera um conflito por dentro, um incômodo na consciência. E aí tem dois caminhos: ou muda o comportamento... ou muda as ideias. E mudar de ideia é muito mais cômodo do que mudar de vida, né? Então o sujeito vai dizendo: «Ah, será que eu acredito mesmo? Será que isso tudo não é invenção?» — e às vezes a dúvida não nasceu do raciocínio, nasceu do bolso, ou de uma situação mal resolvida. Por isso, quando bater uma escuridão na fé, vale a pena se perguntar com sinceridade: o que está escuro é a fé ou é a vida?

E o contrário também funciona, graças a Deus: cada ato de coerência fortalece a fé. Cada vez que eu perdoo quem me magoou, que eu trato bem quem me trata mal, que eu sou honesto quando dava para levar vantagem — a fé cria raiz, vira coisa concreta.

E onde é que se vive essa fé? No nosso lugar de sempre: em casa e no trabalho. Conta-se que nos anos quarenta um alfaiate jovem, todo entusiasmado, foi falar com São Josemaria: «Padre, estou tão decidido a santificar meu trabalho que vou encher a oficina de imagens de santos, e ainda vou bordar cruzinhas escondidas no forro dos ternos dos clientes!» E nosso Padre, com carinho, corrigiu na hora: meu filho, não é bem assim. Se você quer ser um alfaiate santo, acerte o ponto da costura, corte o tecido direito sem desperdiçar o pano do cliente, entregue o terno no dia combinado. A fé do alfaiate não está na cruzinha bordada — está no terno bem feito, oferecido a Deus. Para nós é igual: a fé da dona de casa está na casa cuidada, a fé do engenheiro está no cálculo correto, a fé do aposentado está em como gasta o tempo com os netos e com quem precisa. Fé vivida é isso.

Terceira ideia · ≈ 9–11 min

3. A fé é a nossa rocha

Terceira ideia, mais curtinha. Tem um versículo do profeta Isaías, dito ao rei Acaz numa hora de pânico, com o inimigo às portas: «Se não o acreditardes, não subsistireis» (Is 7, 9) — não ficareis de pé. E aqui tem um detalhe bonito que a Lumen Fidei explica (n. 23): no hebraico isso é um jogo de palavras com o mesmo verbo, 'amàn — «acreditar» e «subsistir», «ficar firme», são duas formas da mesma palavra. É desse verbo, cuja raiz significa «sustentar», que vem a palavra hebraica para fé, 'emûnah — e vem também o nosso «amém». Quando a gente responde «amém» na Missa, está dizendo: é firme, eu me apoio nisso. Ter fé, para o povo da Bíblia, é confiar na rocha que não vacila — o Deus de Israel. Por isso o salmo canta: «O Senhor é a minha rocha.»

E o retrato disso é São Pedro andando sobre as águas. Lembram da cena? Tempestade, madrugada, Jesus vem caminhando sobre o mar e Pedro pede: «Senhor, manda-me ir ao teu encontro.» E vai! Pedro andou sobre a água, gente. Enquanto olhava para Jesus, andava. No momento em que baixou o olhar para as ondas e para o vento — afundou. Reparem que não é questão de esforço, de o Pedro fazer força, contrair a musculatura e se concentrar. É questão de onde se olha. A nossa vida tem ondas: doença, desemprego, preocupação com filho, notícia ruim todo dia no celular. A fé não tira as ondas — a fé mantém o nosso olhar n'Aquele que manda nas ondas. O apóstolo São João, na sua primeira carta, resume numa frase que vale a pena levar para casa: «Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé» (1 Jo 5, 4).

Parte prática · ≈ 11–13,5 min

E como é que a gente cresce na fé?

Bom, e agora a pergunta prática, porque a gente não pode sair daqui só com ideias bonitas: como faço para ter mais fé? Eu diria três meios, bem concretos.

Primeiro: conhecer. Ninguém ama o que não conhece. Quantos de nós já leram o Evangelho inteiro? Olha, os evangélicos não podem ganhar de nós no conhecimento da vida de Cristo, né? Não precisa de heroísmo: cinco minutos por dia. Cinco minutos de Evangelho, lendo devagar, imaginando a cena, como quem estava lá. E de vez em quando pegar o Catecismo, um bom livro de formação — o próprio círculo, como este, é isso: a gente vem aqui afiar a fé. Fé que não se alimenta vai emagrecendo sem a gente perceber.

Segundo: viver. Já falamos: fé sem obras é morta. Como se lê no Caminho: «Obras é que são amores, não as boas palavras.» A fé cresce no uso, como a amizade. Vivendo os mandamentos, perdoando, fazendo o trabalho bem feito, sendo o mesmo na igreja e na firma — porque cristão de domingo e «outra pessoa» de segunda a sábado, isso não existe; unidade de vida, dizia nosso Padre.

Terceiro — e este é o mais importante: pedir. Porque a fé, antes de ser conquista nossa, é dom de Deus. É presente. E presente se pede. Os apóstolos, que conviveram com Jesus, fizeram um pedido que eu acho que é dos mais bonitos do Evangelho: «Aumentai a nossa fé!» (Lc 17, 5). Eles, que viam os milagres de perto, pediam isso! E tem aquele pai do menino doente, que solta a oração mais honesta da Escritura: «Creio! Vem em socorro à minha falta de fé!» (Mc 9, 24). Que frase boa para a gente repetir, né? Porque descreve a gente direitinho: a gente crê, mas tem dia que custa. Então pedir: na oração de cada dia, nem que sejam uns minutos de conversa com Deus de manhã; na Missa, que é onde a fé mais se fortalece; na Confissão, que limpa os vidros da alma para a luz entrar. Quem pede fé, recebe — essa promessa é d'Ele, não é minha.

Conclusão · ≈ 13,5–15 min

A primeira que acreditou

E para terminar, como sempre, vamos a Nossa Senhora — porque ninguém viveu essa virtude como ela.

Reparem numa coisa curiosa do Evangelho de São Lucas: o anjo Gabriel faz duas visitas quase seguidas. Primeiro a Zacarias, um sacerdote, homem experiente, dentro do Templo — e anuncia que ele vai ter um filho. Zacarias duvida: pergunta como vai saber disso, que ele já é velho e a mulher de idade avançada (Lc 1, 18). E fica mudo — o próprio anjo diz que é por não ter acreditado (Lc 1, 20). Depois o mesmo anjo vai a uma moça muito jovem — a tradição calcula uns quinze anos —, numa aldeia perdida chamada Nazaré, e anuncia uma coisa muito mais inacreditável: que ela será a Mãe do Filho de Deus. Maria pergunta como (Lc 1, 34) — pergunta de quem quer entender, não de quem duvida — e responde: «Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). E pronto. Acreditou sem ver nada, sem garantia nenhuma, com a vida inteira em jogo.

Por isso a primeira bem-aventurança do Evangelho não é do Sermão da Montanha, é da prima Isabel para Maria: «Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!» (Lc 1, 45). Feliz porque acreditou. A fé é o segredo da alegria dela — e pode ser o da nossa.

Então a gente termina pedindo a ela, com aquela jaculatória simples: Mãe, aumenta a minha fé. Que eu atravesse a semana — o trabalho, a família, as ondas — não como quem anda num túnel, mas como quem anda ao sol.

Santa Maria, Esperança nossa, Sede da Sabedoria, rogai por nós.